30 de setembro de 2009

Pais Pagãos

Nos dias atuais, educar os filhos virou uma odisséia contra o videogame e as telas do computador. Muitas vezes me pergunto: - "Onde irá parar essa nova geração"?

Meus filhos são criados com muito amor, dentro de uma ótica politeísta. O mais velho está com nove anos, em fase escolar no ensino fundamental e, como todos sabem, o ensino cristão está presente em quase todas as escolas públicas e particulares.

No início, fiquei preocupada, mas decidi não interferir e deixei a própria natureza atuar, pois como sabemos os filhos são reflexos dos pais e, naturalmente, seguem seus passos.

Passado um tempo, a coordenadora pedagógica, que sabia da minha postura em relação ao ensino cristão, disse para que eu ficasse sossegada porque não haveria nenhuma confusão na cabeça do menino e que seria mais fácil ele confundir a cabeça da professora.

Fiquei sem entender nada! Então, ela disse: -"A professora do seu filho ficou espantada quando o menino afirmou acreditar em Deuses!" Um conceito tão diferente dos que ela acredita, mas que na voz de uma criança soou com tanta naturalidade que chegou a intrigá-la.

Só tenho que agradecer, além de dar boas risadas.

Mesmo assim, ainda vejo muitos pais perdidos entre crenças e falta de crenças, adultos que ainda não aprenderam a lidar com suas próprias emoções, quem dirá com as dos seus filhos.

Adultos deprimidos, com síndrome do pânico, estressados e sem tempo. Tudo isso por um simples fato: o homem se afastou da natureza e esqueceu que é um ser divino.

Agora, não me venham com aquele teatro todo que, normalmente, se vê no meio pagão. É muita cena recheada de lirismo, para não dizer delírio!

Para seguir o paganismo celta, além de vivenciar as práticas diárias, há de se estudar muito a mitologia, a história e as lendas dessa cultura, porque só assim estaremos nos sintonizando realmente aos antigos costumes, à própria natureza e aos Deuses.

Mas, voltando aos filhos... Uma antiga prática pagã de plantar uma árvore quando nasce um filho para lhe trazer força e proteção me inspirou e quando o meu mais velho nasceu, na época, plantamos um Ipê amarelo. O caçula foi apresentado aos Deuses quando tinha 20 dias, e agora, estamos atrás de uma muda de carvalho para ele.


(Apresentação de Arthur - 22/06/2008)

Essa prática faz um bem danado ao planeta... Bênçãos plenas!

Rowena Arnehoy Seneween ®

24 de setembro de 2009

O Tempo e o Vento

O tempo é o vento que voa pelos céus sem parar
Momento ligeiro que entra e retorna sem nada levar
Quero meu dia lá longe ficar apenas para me envolver 
Por entre as frestas da alma do meu viver

O ar livre, leve e solto...
Nesse vento que passa e repassa revolto

Vento norte, forte como um nobre guerreiro
Vento leste, brilho ardente que amanhece ligeiro
Vento sul que tudo se pode transformar...
Para no vento oeste poder repousar

Alma envolvente
Naturalmente persistente...
Que flui por entre a brisa e o tufão
Tornando consciência essa mera ilusão

Palavras que voam num breve pensamento
Uma calmaria que me inspira nesse exato momento.

Rowena Arnehoy Seneween ®

Extraído do livro Brumas do Tempo
Todos os direitos reservados.



17 de setembro de 2009

O Chamado

Em certos momentos, podemos nos sentir em pleno estado de suspensão, sem um motivo aparente. Talvez, pela influência lunar que nos rege intimamente ou pelo ciclo solar que vivenciamos.

Saindo das sombras da Lua, começamos a conectar melhor nossas idéias. E, mesmo assim, continuamos a sentir essa sensação de entorpecimento, como se algo não fizesse sentido.

Algumas pessoas me procuram, perguntando se o que estão vivendo no momento presente, que geralmente são aprimoramentos de todas as ordens, se trata de um chamado ou uma iniciação.

E qual é a resposta? Serei eu a lhe dizer ou você mesmo é quem precisa descobrir?

Itapetininga/SP

Toda experiência de vida é única e intransferível e não existem atalhos em nosso caminhar.

Somos seres mutáveis e muito volúveis. Acordamos com o firme propósito de sermos melhores, mas ao nos depararmos com a primeira pedra no caminho, voltamos às velhas armadilhas e no final do dia, encontramo-nos naquela ladainha sem fim. Então, o que fazer?

Buscar as respostas dentro de nós, mesmo que ainda lhe pareça algo nebuloso. Aos poucos, os sinais virão. Sinta e se veja como você realmente é, o que lhe faz feliz e o que a sua alma busca de verdade.

Francamente, não acredito que precisamos nos apoiar em outras pessoas ou em grupos para crescer. Precisamos, sim, é dê um belo impulso inicial. Foi assim que aconteceu comigo no meu caminho druídico.

Quando vivi durante quase cinco anos num local isolado e próximo à natureza, foi que reaprendi a ouvir a voz do vento, a sentir o cheiro da terra, o silêncio do mundo e pude, então, ouvir o chamado dos Deuses.

Mas não pensem que tudo foram flores. O caminho foi bem árduo, tive que encarar meus maiores medos. Situações consideradas surreais, mas que foram bem reais aos meus sentidos.

Hoje acho graça de tudo isso porque observei, depois de vivenciar os grandes ciclos da natureza, que tudo era uma grande ilusão. Percebi como somos infantis, sempre envoltos em grandes ideais de salvar o mundo, quando, na verdade, não conseguimos salvar a nós mesmos.

Durante a jornada, aprendi a ter gratidão e respeito por tudo e por todos!

Enfim, o aprendizado é eterno, mesmo quando tudo nos parece horrível e sem solução, acredite, a solução existe.

Medite, medite e medite. Acredite, realmente, que tudo irá melhorar e busque essa força nos Deuses, na natureza e nos seus ancestrais.

Quando honramos nossas raízes, inevitavelmente, fortaleceremos o tronco, os galhos e o fruto, que é você. Abençoados sejam!

Rowena Arnehoy Seneween ®

12 de setembro de 2009

O Dogma do Medo

O que vem a ser um dogma? Segundo definição da wikipédia, um dogma é uma crença ou doutrina imposta, que não admite contestação, ou seja, é o ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa.

Duirwaigh GalleryE aqui reside um sinal de alerta... A natureza precisa ser dogmatizada? Professar uma religião que prega princípios religiosos de comunhão à natureza baseados numa imposição?

Quando finalmente nos libertamos daqueles velhos preceitos religiosos, de outras épocas, nos deparamos com novos dogmas!

Porém, agora camuflados por uma semântica simplificada fazendo nos crer que tudo é lindo e maravilhoso, desde que se fique ciente do que eu fizer, de "bom ou de mal", voltará três vezes a mim. E isso faz sentido para você?

No meu modo de pensar, isso não tem lógica! Porque com medo de receber o "mal", eu só vou fazer o "bem"?

Tudo isso não passa de mais uma forma de manipulação através do medo. Levando-nos novamente aos preceitos cristãos: "Ame o próximo como a ti mesmo." Uma alusão a um estereótipo bem comum, mas, pouco aplicável no geral. Percebe?

Sendo assim, apenas quando nos unimos à verdadeira essência da natureza, poderemos percebemos que tudo é sagrado, e como tal, sem nenhum dogma a nos ditar regras, sejam eles quais forem.

O homem só precisa das leis por ainda não ter consciência, de fato, que tudo é energia. Atraímos aquilo que emitimos. O respeito surge naturalmente quando a interação entre as almas acontece.

Bom, mas aí você vai dizer: - "O mundo é repleto de maldade e atrocidades! Como poderemos nos defender de todo esse mal?"

Aceitando que o "mal" existe em conjunto ao "bem", pois aquilo que consideramos um mal é apenas reflexo do medo! E, no final, tudo nos conduzirá ao bem, esse é o ciclo natural... Que assim seja!

Rowena Arnehoy Seneween ®