22 de dezembro de 2011

Alban Hefin, a Luz do Verão!

Festival celebrado no dia 21 de dezembro marca o Solstício de Verão e em gaélico se chama Nollaig. Em galês é conhecido como Alban Hefin ou a Luz do Verão, é o êxtase máximo da união sagrada, onde o poder da criação está mais ativo e o Sol finalmente atingiu o seu apogeu.

A natureza encontra-se plena de luz, poder e magia. Este é o dia mais longo do ano, no ápice do verão, aproveite para meditar sob o sol da manhã, celebrando durante todo o dia até o anoitecer, trazendo assim, toda magia solar para o seu interior.

No Hemisfério Norte celebra-se no dia 21 de junho. No Hemisfério Sul, este ano, o verão será no dia 22 de dezembro às 02h30min.

Mãe Terra

“Mãe Terra, nós te louvamos,
Por entre os raios solares
Que iluminam as novas sementes.

Mãe Terra, nós te louvamos,
Por entre as folhas do carvalho
Que vibram junto à gota de orvalho.

Mãe Terra, nos te louvamos,
Por entre a brisa de verão
Que renova o poder da criação.

Aceitai nossa sincera gratidão!”

Rowena Arnehoy Seneween ®

Livro Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.


Sugestão para celebrar o Solstício de Verão

8 de dezembro de 2011

A Fuga Mágica - Cerridwen e Gwyon

"Se o herói obtiver, em seu triunfo, a bênção de uma Deusa ou um Deus e for explicitamente encarregado de retornar ao mundo com algum elixir destinado à restauração da sociedade, o estágio final de sua aventura será apoiado por todos os poderes do seu patrono sobrenatural. Por outro lado, se o troféu tiver sido obtido com a oposição do seu guardião, ou se o desejo do herói no sentido de retornar para o mundo não tiver agradado aos deuses, o último estágio do ciclo mitológico será uma viva, e com freqüência cômica, perseguição. Essa fuga pode ser complicada por prodígios de obstrução e evasão mágicas.

Os galeses falam, por exemplo, de um herói, Gwyon Bach, que foi parar na terra sob as Ondas. Em termos específicos, ele se achava no fundo do lago Bala, em Merionethshire, na parte norte do País de Gales. E no fundo desse lago vivia um antigo gigante, Tegid, o Calvo, e sua esposa, Caridwen ou Cerridwen. Esta última, num dos aspectos que assumia, era a padroeira da semente e das lavouras férteis e, noutro, deusa da poesia e das letras. Era proprietária de um imenso caldeirão e desejava preparar nele uma poção de ciência e inspiração. Ela produziu uma mistura negra que pôs no fogo para fermentar durante um ano, ao final do qual três gotas abençoadas da graça da inspiração poderiam ser obtidas.

E ela pôs nosso herói, Gwyon Bach, a mexer o caldeirão, e um cego chamado Morda para manter o fogo aceso por baixo dele, e ela os encarregou de não deixar a fervura cessar pelo espaço de um ano e um dia. E ela mesma, colhia diariamente todas as ervas encantadas. Um dia, perto do final do período de um ano, enquanto Caridwen estava escolhendo plantas e fazendo encantamentos, eis que três gotas do líquido encantado saíram do caldeirão, caindo no dedo de Gwyon Bach.

Como as gotas fossem muito quentes, ele pôs o pé na boca e, no momento em que pôs aquelas gotas prodigiosas na boca, previu tudo o que estava por ocorrer e percebeu que seu principal cuidado deveria ser guardar-se contra os desejos de Caridwen, pois vasta era a habilidade desta. E ele, tomado de grande temor, dirigiu-se para a sua própria terra. E o caldeirão partiu-se em dois, pois todo o líquido nele contido, exceto as três gotas encantadas, era venenoso, de modo que os cavalos de Gwyddno Garanhir foram envenenados pela água da corrente para onde o líquido do caldeirão fluiu e a confluência dessa corrente passou a chamar-se: o Veneno dos Cavalos de Gwyddno, a partir de então.

Eis que retorna Caridwen e vê todo o trabalho do ano inteiro perdido. E ela tomou de uma acha de lenha e bateu na cabeça do cego até que um de seus olhos lhe saltou do rosto. E ele disse: "Erradamente, tu me desfiguraste, pois sou inocente. Tua perda não foi causada por mim". Dizes a verdade, disse Caridwen. "Foi Gwyon Bach."- murmurou o velho.

E ela se pôs atrás deste, correndo. E ele a viu e transformou-se numa lebre e fugiu. Mas ela se transformou em galgo (cão) e o perseguiu. Ele correu para um rio e tornou-se peixe. E ela, sob a forma de lontra fêmea, o perseguiu sob a água, até que ele se viu forçado a transformar-se num pássaro. Ela, como águia, o seguiu e não lhe deu descanso no ar. E quando estava prestes a alcançá-lo, e ele temia pela própria vida, eis que ele avistou um monte de trigo peneirado no solo de um celeiro e mergulhou no trigo, transformando-se num dos grãos. E ela se transformou numa encrespada galinha negra, ciscou no trigo, encontrou-o e o engoliu.

E, diz a história, ela o levou consigo durante nove meses e, quando ele saiu, ela não conseguiu encontrar coragem para matá-lo, tal a sua beleza. Assim, ela o envolveu numa bolsa de couro e o colocou no mar, entregando-o à misericórdia divina, no vigésimo nono dia de abril."

Fonte: O herói de mil faces - Joseph Campbell.

A fuga mágica é o episódio favorito do conto folclórico, no qual é desenvolvido o tema da mudança de forma. A criança abandonada aos caprichos do destino, será um dia Taliesin, o maior e mais sábio druida que já se ouviu falar!

As lendas nos contam que Merlin pode ter sido o sucessor do Bardo Taliesin que, na forma de Gwyon, nascera de Cerridwen e se tornara um grande mago, após tomar, acidentalmente, três gotas da poção do Caldeirão da Inspiração, descrito em "Hanes Taliesin".

Para ler ou baixar a revista, Arthur - Uma Epopéia Celta 01 - Merlin - O Louco, que descreve este mito, clique aqui.

Bênçãos plenas do céu, da terra e do mar!