26 de novembro de 2010

Animais Sagrados Celtas

A cada conto, mito ou lenda, descobrirmos como a simbologia animal é muito forte entre os povos celtas. Os animais representam partes inconscientes de um poder mágico que nos revela qualidades sobrenaturais, possibilitando a comunicação entre os mundos. Os celtas, como animistas, acreditavam que todos os aspectos do mundo natural eram dotados de espíritos e entidades divinas, com as quais todos os seres humanos poderiam estabelecer contato.

No conto de "Culhwch e Olwen" há várias passagens que nos permitem observar como os animais míticos são consultados e, ao mesmo tempo, como eles carregam em si qualidades protetoras e amigáveis, atuando como emissários dos Deuses que, em certas ocasiões, também podem se transformar em animais.

Os cães, por exemplo, citados também no conto de "Oisín e Niamh", geralmente, estão associados à proteção, à caça e às provas sobrenaturais. Oisín relata o seu espanto ao perceber que os animais do Outro Mundo se aproximavam dele com naturalidade, demonstrando a estreita relação entre os animais, os homens e os Deuses. O cão também é associado à CuChulainn.

A integração entre os mundos está presente na figura do cavalo branco que simboliza o transporte para Tir na nÓg. Os cavalos têm um valor inestimável para os celtas, seja na guerra ou como um meio de locomoção para o Outro Mundo.

Tanto os animais domésticos como os selvagens, estão ligados à fertilidade, à vitalidade, à força, ao movimento e ao crescimento, fornecendo condições necessárias à subsistência de toda a tribo através da sua carne, peles e ossos. Representam também uma forte conexão entre a terra e os céus, ligados a vários Deuses, promovendo a busca de segredos e de sabedoria ancestral. Cada animal possui um atributo específico; suas características são associadas a algum tipo de habilidade e dignos de veneração através de um ritual ou uma cerimônia religiosa.

As aves estão sob os domínios do céu e são percebidas como um elo entre os vivos e os espíritos ancestrais. Elas podem tanto ser o mensageiro como a própria mensagem, carregando em si um teor mágico, profético ou divinatório.

O javali e os porcos representam coragem, bravura, proteção e riqueza.

Os peixes, especialmente o salmão, estão associados à sabedoria e ao conhecimento. Diz a lenda que o salmão adquiriu esse conhecimento ao comer nove avelãs que caíram no poço da sabedoria de nove árvores, que ficavam ao redor da fonte sagrada e a primeira pessoa que comesse sua carne fresca, ganharia todo esse conhecimento. Foi assim que Fionn Mac Cumhaill, pai de Oisín, recebeu seu conhecimento, após sete anos tentando pescar o Salmão do Conhecimento, nos contos do Ciclo Feniano.

O veado é um animal reverenciado e perseguido ao mesmo tempo, às vezes, considerado como emissário divino e, em outras ocasiões, como Deuses transformados em animais, principalmente Cernunnos, o Senhor dos animais, da natureza e da abundância, retratados no Caldeirão Gundestrup, um antigo artefato de prata, ricamente decorado em alto relevo, encontrado da Dinamarca.

O Caldeirão de Gundestrup, datado do século 1 a.C. , pertence ao final do período de La Tène. Ele foi encontrado em 1891 em um pântano perto da aldeia de Gundestrup, na Jutlândia – Dinamarca e está alojado no Museu Nacional de Copenhague.



Enfim, há uma infinidade de animais descritos nos contos e nos mitos celtas que nos leva a uma profunda ligação com a natureza, descritos empiricamente na iconografia ou nos símbolos celtas, que reforçam o respeito entre o mundo natural e o sobrenatural, além da conscientização de toda a sua sacralidade... Awen!

Bibliografia:
Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
Todos os direitos reservados.


Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

22 de novembro de 2010

Verdade, Bem e Belo

Entre tantos "mitos" que vão da genialidade ao julgo das paixões invertidas, sentimentos de crenças errôneas, enraizadas na psique humana. Como o mundo é carente de amor e aprovação!

Mesmo assim, devemos ressaltar que, o seu caminhar seria mais belo, se esses estivessem conectados com a verdadeira fonte dos Deuses, contidos na simplicidade e na nobreza de suas almas.

"Eu costumava sonhar
Costumava viajar além das estrelas
Agora já não sei onde estamos
Embora saiba que fomos muitos longe."



Evidentemente, este vídeo não é para enaltecer apenas o seu criador, mas especificamente, a esta obra que com certeza foi guiada por um dom muito maior que o imaginado.

Assim caminhamos, nessa jornada, atentos ao despertar de um tempo antigo que hoje está tão presente em todos nós: a natureza divina.

Supostamente o tempo para os CELTAS era visto como uma roda, um círculo sem começo e nem fim, alternados entre a luz e a sombra.
Por isso eu creio que ainda haja tempo... Tempo de sonhar, tempo de amar e acreditar que a VERDADE, o BEM e o BELO, farão toda a diferença na história humana. A conexão entre o Céu e a Terra!

Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®

19 de novembro de 2010

Culhwch e Olwen - Mabinogion

Em "Culhwch e Olwen" o rei Arthur e seus cavaleiros aparecem num cenário totalmente céltico da Idade do Ferro, com referências à Mabon e aos ferreiros, descrevendo uma história envolvente, repleta de seres míticos e animais sagrados.

Logo após o nascimento de Culhwch, sua mãe adoeceu gravemente e, antes de morrer, fez o marido jurar que ele não se casaria novamente, até que em sua sepultura nascesse uma roseira com dois botões. Não tardou e a rainha faleceu.

Alguns anos mais tarde, a roseira floriu no sepulcro sagrado e, finalmente, o rei Celyddon casou-se com a viúva do rei Doged. Esta imediatamente fez com que seu enteado, Culhwch, prometesse que se casaria apenas com Olwen, da corte de Arthur.

- "Eu ainda não estou em idade de casar", respondeu o jovem. Então ela disse-lhe: "Declaro a ti que é teu destino casar-se com Olwen, a filha de Yspaddaden Penkawr".

O que fez o jovem corar de amor pela donzela, embora nunca a tivesse visto.

Passados alguns dias, seu pai, percebendo a agitação do filho, perguntou-lhe: - "O que veio abater sobre vós, meu filho, o que tens?"

- "Minha madrasta declarou que eu nunca terei uma esposa, a não ser que eu obtenha a mão de Olwen, filha de Yspaddaden Penkawr". Disse o rapaz, cabisbaixo.

- "Isso vai ser fácil", respondeu o pai. - "Arthur é seu primo. Vá até ele e peça a sua ajuda e sua bênção também."

Culhwch, então, cavalgou até a corte de Arthur, montado em seu belo cavalo cinzento, que estava adornado com uma capa de cor púrpura, com uma maçã dourada bordada em cada lado do tecido. O freio, a sela, os estribos e as ferraduras do cavalo eram de ouro e ele parecia flutuar sobre o solo, ao galopar. Em cada uma das suas mãos, empunhava uma lança de prata, na cintura, uma espada de ouro e, caminhando ao seu lado, dois cães de caça.

Todos na corte ficaram impressionados quando o jovem adentrou o pátio a cavalo.

Arthur, então, deu as boas-vindas ao estranho e lhe ofereceu um lugar de destaque no banquete. Culhwch agradeceu e disse: - "Senhor, não venho por comida e nem por bebida, mas para solicitar sua ajuda!"

- "Tereis qualquer coisa da terra ou do mar, que esteja abaixo do céu." Respondeu Arthur.

- "Exceto meus barcos, espada, lança, manto, escudo e minha amada Guinevere. Mas, antes se apresente, sei que vieste do meu sangue, portanto, diga-me quem és."

- "Eu te direi", disse o jovem. - "Sou Culhwch, filho de Celyddon e Goleuddydd, minha mãe, a filha do príncipe Anlawdd".

- "Isso é verdade", disse Arthur. - "Tu és o meu primo, seja qual for o seu pedido, a benção eu lhe concedo."

- "Então, peço-lhe Olwen, a filha de Yspaddaden."

- "Nunca ouvi falar dessa mulher, mas meus homens irão procurá-la por todo o reino durante um ano e aguardará aqui como meu hóspede."

Um ano depois, os homens regressaram sem obter nenhuma notícia da tal moça. Culhwch, muito triste, disse: - "Deixarei esse lugar com uma parte da vossa honra."

"Como se atreve insultar nosso rei?”, gritou Kay. "Venha conosco e poderá ver com seus próprios olhos que a mulher que procuras não se encontra em lugar algum."

Kay é um dos grandes heróis da corte de Arhur. Diz a lenda que ele sustentou a respiração durante nove dias e nove noites, para se curar de um ferimento de espada. Além disso, podia crescer até a altura de uma árvore e acender uma fogueira apenas com o calor da palma da sua mão, se assim o quisesse.

Arthur selecionou Kay e mais alguns dos seus heróis para acompanhar Culhwch em sua busca impetuosa.

Escolheu também Bedwyr (Bedivere), que andava sempre junto a Kay e que nenhum outro homem do reino, exceto Arhtur, poderia superá-lo com a lança, pois tinha o mesmo poder de nove lanças, embora ele tivesse uma mão só, possuía a força equivalente a de três guerreiros.

Kynddelig seria o guia da expedição, pois ele conhecia todos os lugares sem mesmo nunca ter ido a qualquer um deles antes.

Arthur chamou Gwrhyr que sabia falar todas as línguas dos homens e dos animais; o seu sobrinho e herdeiro do trono, Gwyar (Gawain) que nunca regressava de uma missão sem cumpri-la.

E, finalmente, Menw, que podia lançar encantamentos para que o grupo ficasse invisível aos seus inimigos.

Os heróis cavalgaram pelas montanhas durante dias, até chegar a uma grande planície, onde avistaram um magnífico castelo e seguiram em sua direção. Mas quanto mais andavam, menos se aproximavam do tal castelo, que parecia envolto numa bruma misteriosa.

Leia o artigo completo... Os Contos Celtas: Culhwch e Olwen

Créditos da imagem:
Olwen de Alan Lee - Illustration, 1984.


Bibliografia:
Brumas do Tempo
Poesias, pensamentos e ritos druídicos
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Bênçãos plenas do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena Arnehoy Seneween ®