21 de fevereiro de 2013

Totem Ancestral

Totem, espírito guardião ou animal de poder, na visão xamânica, é uma determinada qualidade energética com a qual os humanos se conectam desde o nascimento — ainda que não tenham consciência disso — e que serve de âncora na Terra. É a forma que o ser espiritual sutil encontrou para estar presente na vida física.

Sem o Totem, acreditam os xamãs das mais diferentes tradições, seria quase impossível o homem sobreviver.

Durante muitas eras os xamãs acreditaram que seu poder era o mesmo que o dos animais, das plantas, do Sol, de todas as energias e elementos da natureza. Estes curandeiros também se sentiam parentes dos animais, encontrando raízes comuns às duas espécies de milhares de anos.

Tal paraíso — fundamentado na total integração entre o homem e a natureza — é recriado nos rituais xamânicos, e cabe ao xamã, em estado sensibilizado e alterado de consciência pelas músicas, cânticos e movimentos, recapturarem a sabedoria e os ensinamentos dos animais.

A energia invocada é a da espécie ao se referir à "iluminação e visão da Águia", à "coragem do Urso", à "força da Onça" ou à "astúcia da Raposa". As características individuais representam o espírito guardião de uma pessoa e se torna uno com todos os gêneros a que pertence.

Estes espíritos guardiões trazem a sua medicina, o seu poder, força e capacidade de cura. Assim é, por exemplo, que o Lobo e a Cobra devoram as doenças durante as cerimônias de pajelança; o Urubu se torna o faxineiro que limpa os resíduos tóxicos — emocionais e físicos — de feridas profundas, desta e de outras vidas.

O homem comum sintonizado com o seu Totem aplica no dia-a-dia os ensinamentos que recebe. É assim que as mudanças podem acontecer, como o suporte do Castor, chamado de "construtor dos sonhos" ou do Gato do Mato que convida à discrição e à busca interna pessoal.

O poder do Totem torna o homem mais resistente às doenças, ele traz grande vigor que repele forças exteriores invasivas (definição que os nativos dão às doenças). Do ponto de vista xamânico, em um corpo cheio de poder não é fácil a entrada das energias doentias.

Nos tempos paleolíticos e neolíticos (35.000 a.C. a 3.000 a.C.) e nas selvas primitivas mais recentes, o homem aprende sobre os animais, observando-os em seu habitat, como se relacionam e onde reside o seu poder. Os povos primitivos e atuais, vendo-se ligados à natureza, tentam capturar este poder imitando-os, observando, dançando e usando seus elementos, como penas, chifres, ossos, etc.

Tanto para quem chama os animais de poder para realizar rituais de cura e expansão da consciência, quanto para quem se volta para si buscando às suas relações pessoais, os espíritos guardiões aí estão, prontos a caminharem com os humanos, dando-lhes suporte e energia para se tornarem pessoas melhores, mais responsáveis e comprometidas com o bem-estar da Terra e de todos os seres que nela habitam.

E como nos lembra o antropólogo Michael Harner: "os espíritos guardiões são sempre benéficos e jamais prejudicam aquele que os possui (...) por mais feroz que ele possa parecer..."

Adaptação: Magia Xamânica de Derval Gramacho e Victória Gramacho

Totem ancestral... "A onça-pintada é considerada um dos animais-símbolo da diversidade da fauna brasileira por ser encontrado em quase todos os biomas do país e que figura na lista de espécies vulneráveis do Ibama." Leia mais em: Isto É Independente

Rowena Arnehoy Seneween ®


Despertar à consciência ao totemismo individual dentro de nós como um relacionamento íntimo de amizade e proteção. Que assim seja!

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